Brasil mira novos mercados para carne

Sob pressão de dois importantes mercados compradores de carne, o Brasil acelera a busca por novos destinos para suas exportações. A medida busca aliviar restrições por parte da China e da União Europeia que podem impactar fortemente a indústria de proteína animal brasileira ainda nos próximos meses.
De um lado, a China passou a limitar as compras de carne bovina brasileira por meio de uma cota de importação e um adicional de tarifa ao ultrapassar tal cota; de outro, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco, em decisão que, caso não seja revertida, entra em vigor no dia 3 de setembro.
Diante deste cenário, o governo busca aprofundar as negociações com outros países em busca de novos mercados, principalmente Japão, Coreia do Sul e Canadá, considerados estratégicos para diversificar as exportações brasileiras.
Membros do governo brasileiro e do setor afirmam que a busca por novos mercados sempre esteve no radar. Embora enxerguem como necessária a diversificação de mercado, a medida ganhou tração após a decisão chinesa de reduzir a importação de proteína animal. Como a China responde por uma fatia relevante das compras externas de carne bovina brasileira, a limitação tende a reduzir o espaço para crescimento das exportações no curto prazo.
Neste sentido, outros parceiros asiáticos surgem no radar, como o Japão e a Coréia do Sul. Há anos o Brasil tenta destravar entrada de carne bovina in natura em território japonês. Embora seja um grande fornecedor de frango ao Japão, há uma série de restrições sanitárias à proteína bovina brasileira — o país consume, principalmente, carne bovina fornecida pelos EUA.
Em março deste ano, o Japão realizou uma auditoria no sistema sanitário brasileiro, visto como o passo inicial para destravar as tratativas sobre o tema. O Brasil, porém, ainda aguarda os resultados da avaliação, que foi feita em apenas no Sul do país.
A Coréia do Sul também se encontra neste mesmo estágio que os japoneses. O país realizou uma missão sanitária em território brasileiro, etapa que aconteceu poucas semanas após o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, realizar uma visita de estado ao Brasil. Abrir novos mercados para a proteína brasileira seria um passo importante para a indústria no país em um momento que o setor se prepara para enfrentar um revés com a China e com a União Europeia, que são grandes consumidores da carne brasileira.
Fonte: Metrópoles






















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