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Do boi, tudo se aproveita!

  • 20 de mar.
  • 4 min de leitura

A cadeia da carne bovina brasileira vai muito além da carne servida à mesa. Da picanha destinada à culinária ao sebo que vira biodiesel, na indústria frigorífica, praticamente todas as partes do boi têm destino, valor e mercado internacional, formando um sistema integrado que reduz desperdícios, amplia receitas e atende diferentes demandas globais.


O aproveitamento integral do boi é um dos grandes diferenciais da pecuária brasileira. Ele permite atender desde mercados sofisticados até demandas ligadas à segurança alimentar, à energia e à indústria, aumentando a eficiência econômica da cadeia. Ao todo, 49 segmentos industriais dependem dos subprodutos bovinos, os quais são classificados em não comestíveis e comestíveis. A depender da preparação, há determinados produtos que se enquadram em ambas as categorias.


Entre os subprodutos comestíveis, o fígado é o mais consumido. Mas há outros subprodutos – como língua, miolo, rabo, bucho e coração – que são também apreciados em certas receitas culinárias.


Os não comestíveis são desmembrados em diferentes subprodutos. Por exemplo: a bílis tratada do boi, que é usada em produtos farmacêuticos para problemas digestivos e cálculo biliar, é vendida, seca, para países do Oriente.


Pele

Depois de tratada, a pele bovina é chamada de couro e utilizada na fabricação de bolsas, de calçados, de revestimentos (bancos de avião, carros, sofás, etc.) e de material esportivo (como bolas, tênis, chuteiras e luvas de goleiro); e até mesmo na confecção de roupas de luxo.


Da pele do boi se extrai ainda o colágeno, uma substância poderosa utilizada em cosméticos (cremes e esmaltes); assim como uma gelatina usada na fabricação de medicamentos, de filmes radiológicos e de chicletes.


Pelos, sebo, gordura, sangue e glândulas: tudo é aproveitável

Das glândulas do boi (como as suprarrenais, tireoide, pâncreas etc.) são extraídas substâncias usadas em medicamentos e perfumaria. A insulina para diabéticos, por exemplo, é extraída do pâncreas bovino. Do intestino, produzem-se fios usados em cirurgias. Além disso, a gordura é aproveitada em receitas de deliciosos sorvetes e produtos de confeitaria.


Já o sebo, que não é comestível, serve para produção de velas, de sabão e de sabonetes perfumados. Dos pelos da cauda do boi são fabricados pincéis e escovas de cabelo, de roupa e de limpeza. Dos pelos de dentro da orelha desse animal são produzidos pincéis finíssimos de pintura.


Você já deve ter ouvido falar que a gelatina que comemos também vem do boi. E é verdade! Tendões e ligamentos bovinos são transformados, pela indústria, em gelatina.


Dos chifres são extraídos componentes usados no pó do extintor de incêndios e na fabricação de pentes e de botões. Já os ossos, fonte de cálcio e fósforo, são usados na produção de farinhas e rações para cães, gatos e aves. Uma vez calcinados, os ossos são usados também na fabricação de porcelana e de cerâmica; na refinação de prata; e na fusão do cobre. Em usina de açúcar, utiliza-se o carvão de osso para alvejar e refinar esse ingrediente que usamos, por exemplo, em doces, biscoitos, tortas e bolos.


Até o sangue dos bovinos é aproveitado para a produção de plasma, de soro, de farinha de sangue ou sangue solúvel. O plasma é usado na fabricação de embutidos; e, do seu soro, confeccionam-se vacinas.


Por seu alto teor de nitrogênio, a farinha de sangue é aplicada como fertilizante, enquanto o sangue solúvel é desidratado e aplicado em ração animal e na cola de madeira compensada. A mucosa do bicho vai para a indústria de laticínios, para a fabricação do coalho.


Exportações

Quando falamos em exportação de carne, muita gente pensa apenas nos cortes nobres, mas o diferencial da indústria está no aproveitamento integral do animal. Cada parte tem valor, mercado e função, o que torna a cadeia mais eficiente, competitiva e sustentável


Os cortes nobres, como picanha e filé mignon, seguem como vitrine da carne brasileira, com presença em mercados exigentes como a União Europeia. Esses produtos abastecem restaurantes, varejo premium e o food service, impulsionados por padrões sanitários rigorosos e pela padronização de qualidade.


Já os cortes do dianteiro e industriais, como acém e paleta, têm papel estratégico na segurança alimentar e no processamento. Eles são exportados para países como China, Indonésia, Egito, Chile e Filipinas, onde atendem ao consumo popular e à indústria de alimentos.


Mas aproveitamento vai além da carne. Miúdos como fígado, língua, coração, rim, bucho e rabada são valorizados em mercados como Hong Kong, Vietnã, Nigéria, Costa do Marfim e Peru, onde fazem parte da culinária tradicional. Em alguns desses países, a demanda por miúdos é maior do que por cortes considerados nobres no Brasil.


Já o couro bovino, em versões wet blue e acabado, segue para polos industriais como Itália, China, Vietnã, Alemanha e Estados Unidos, abastecendo os setores de calçados, bolsas, estofados, moda e indústria automotiva. O sebo bovino, por sua vez, é direcionado principalmente à União Europeia, Singapura e Holanda, onde é usado na produção de biodiesel, cosméticos, sabões e insumos químicos, além de gerar energia térmica nas próprias plantas industriais.



 
 
 

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